
Hoje estou muito feliz, pois presenciei um milagre. Não vi nenhum morto levantar, ou um câncer ser curado, nem vi um paralitico sair andando e nem um cego enxergar. Também não vi dinheiro aparecer, ou ainda anjos descendo e subindo. Você deve estar se perguntando: Que raios de milagre que você viu então?
Posso lhe garantir que é um milagre muito grande. O milagre do Amor de Deus. O milagre do Deus relacional que se sensibiliza com o sofrimento humano. O milagre do Deus que está com as pessoas quando elas caminham por “vales escuros”. O milagre do Deus presencial que faz com que a sua presença seja o fator determinante para que não se perca as esperanças, mesmo quando tudo parece perdido. Sim, eu o presenciei, o milagre do amor.
Muito se fala de acontecimentos mirabolantes, na verdade, são esses acontecimentos que as pessoas esperam ver. O milagre do amor na maioria das vezes não pode ser enxergado, mesmo deixando sinais tão claros. Sempre foi assim, basta olharmos para Jesus quando estava na cruz, muitos não conseguiam enxergar um milagre ali, ao contrário, diziam a alta voz que ele havia sido derrotado, mas diferente do que a maioria pensava, ali estava ocorrendo um milagre, possivelmente o maior deles.
O milagre do amor é fantástico, pois ele penetra no mais profundo dos corações humanos, fazendo gerar o mesmo sentimento de misericórdia, amizade, compreensão, que estava em Jesus. Faz com que se restaure a dignidade, que se enobreçam as relações interpessoais. Ele faz com que os homens chorem com os que choram e se alegrem com os que se alegram, faz com que o sofrimento humano possa ser atenuado, faz com que a idéia de Corpo de Cristo faça algum sentindo, isto tudo por causa do amor.
Foi esse o milagre. Eu pude presenciar Deus olhando por uma família, que estava numa situação difícil. Eu o vi apoiar esta mesma família quando a situação estava próxima a desesperadora usando pessoas para participar do seu sofrimento, lhes dizendo palavras de coragem e apoio. Eu vi Deus dar condições para que a dignidade fosse novamente restaurada, e mostrar que aquela pequena contingência humana não era capaz de intervir na coisa mais importante que poderia haver ali: o amor recíproco entre eles e Deus. Eu pude enxergar o próprio Deus a todo o momento dando o seu peito para que eles pudessem ali se apoiar e derramar as suas lágrimas, sempre os encorajando, estando com eles por todo o tempo.
O grande milagre não foi Deus fazer algo sobrenatural, até porque mais sobrenatural foi a capacidade de fazer o seu amor penetrar nos corações de pessoas comuns que da maneira como deu estenderam as suas mãos, sem precisar que nada viesse em troca a não ser a reciprocidade deste amor. Sobrenatural mesmo e a forma como o amor de Deus nos toca, a forma com que ele nos constrange. Realmente o mundo não pode entender e explicar isso.
Termino com uma frase do Pr. Ricardo Gondim:
“Precisamos de outras respostas para o sofrimento humano; os pressupostos desses evangélicos, que anunciam cura com tanto estardalhaço, não abarcam a complexidade do sofrimento universal.
Proponho que os prodígios do Evangelho sejam outros; que a presença de Deus se revele no serviço, no amor solidário e na compaixão. Que as mãos e os pés de Deus sejam as mãos e os pés dos que não fogem da dor alheia."
Flavio ( FHCA ® )
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Milagre
Postado por Flavio Alcantara às 12:00
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