
Nasceu no Palácio de Herodes em Jerusalém, centro do poder judaico. Veio para o que era seu, e os seus o receberam, e com muitas pompas!
Aos doze anos já discutia novas rotas comerciais e estratégias de conquista com os conselheiros reais.
Seu primeiro milagre aconteceu num pomposo casamento na realeza. Transformou a água em suco de caju, não por haver faltado bebida na festa, mas apenas para dar uma gorjeta do seu poder. Poderia tê-la transformada em vinho, vodka, ou até whisky, se quisesse. Mas preferiu não escandalizar a ala mais conservadora e fundamentalista dos religiosos.
Aos 30 anos, foi batizado na piscina da cobertura do palácio, por um dos profetas badalados da época. Enquanto descia às águas, viu-se uma águia, símbolo de conquista, sobrevoar sua cabeça, e uma voz que bradou de algum lugar: Este é o cara! Vai e arrasa!
Saiu dali e foi para uma região praiana, tirar quarenta dias de férias antecipadas. Não precisou ser tentado em nada, pois nunca se negou bem algum. Transformou pedras em pizza, só pra se divertir. E ainda fez malabarismo no pináculo do templo, pra tirar uma onda com os sacerdotes. No final das férias, subiu um monte bem alto, avistou os reinos deste mundo e disse pra si mesmo: Tudo isso me darei!
Quando aproximado por algum gentio, do tipo daquele centurião que tinha um servo enfermo, dizia-lhe: Dá um tempo! Não vim pra vocês, seus impuros, idólatras e ignorantes. E mais: Nunca vi tanta petulância! Onde já se viu? Pedir por um serviçal! Além de gentio, é burro!
Ao deparar-se com um cobrador de impostos desonesto, que subira numa árvore só pra lhe ver, Gezuis lhe disse: Como é que é, meu irmão! Vamos ou não vamos dividir esta grana? Desce logo, que tô com pressa! Hoje me convém me hospedar no melhor hotel da região.
Ao ser tocado por uma mulher hemorrágica, esbravejou: Tira essa louca daqui! Não sabe que a Lei proíbe qualquer aproximação de uma pessoa em seu estado? Imunda!
Por onde passava, seus discípulos estendiam um cordão de isolamento, para que leprosos, morféticos, cegos, endemoninhados, e todo tipo de gente asquerosa não ousassem se aproximar do Rei da cocada preta.
Diferente era o trato que dispensava aos fariseus e religiosos da época.
Venham a mim, todos os que querem alguma vantagem da religião. Vocês serão cabeça e não cauda. Comerão o melhor da terra! Unam-se a mim, e eu lhes farei milionários. Aprendam comigo, que sou malandro e esperto de coração. Espertos são os que riem da desgraça alheia. Espertos são os que gostam de ver o circo pegar fogo. Espertos são os que têm fome e sede de sucesso. Eu saciarei seu ego!
Quando procurado por um jovem rico, disse-lhe, sem o menor pudor: Quer sociedade? Vamos rachar esta grana? Vai ter um lugar especial no meu reino, garoto...
E quando entrou em Jerusalém montado naquele exuberante corcel branco 0 km? Foi tremendo! Não tinha pra ninguém!
- Cruz? Que cruz? Tá doido? Cruz é pra gente como Jesus, aquele nazareno nascido numa manjedoura. Eu vim pra ter vida, e vida com abundância. Quem quiser vir após mim, passa tudo o que tem pra minha conta, e me siga. Ou tudo ou nada! Ou dá ou desce!
Revolucionário? Que nada! Graças a um conchavo político feito às escuras com o Império Romano, Gezuis garantiu para si a sucessão de Herodes, e viveu muitos e muitos anos.
Ao morrer, farto de dias, Gezuis confiou seu legado a um grupo de discípulos seletos, que juraram que sua mensagem jamais seria esquecida, e que ao longo dos séculos, sempre haveria quem a promovesse em sua própria geração. Partiu ordenando que cada um dos seus discípulos lhe beijasse os pés, em sinal de submissão. E que aprendessem a se servir uns dos outros, e ainda se servir dos poderes constituídos, sem jamais criticá-los ou censurá-los.
Promessa feita, promessa cumprida.
Basta ligar a TV, o rádio, ou mesmo acessar a internet, para se dar conta de quantos discípulos de Gezuis ainda dão eco à sua voz.
Por Hermes Fernandes - Via Genizah
*** Sensacional ****
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Um GEZUIS estranhamente familiar
Postado por Flavio Alcantara às 06:42 0 comentários
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Em louvor a vida

A vastidão do prado congelado lembra o cenário grisalhado do sertão. Só que lá o sol calcina; aqui se esconde, tímido. Com os olhos embebidos de nostalgia, desperto. Até no deserto lívido da neve dá para perceber que a beleza não mora no que vemos. A beleza mora no que recordamos.
Meu coração continua povoado de boas memórias. Memórias que salvam os olhos da insipidez. Farejo farofa com cebola na manteiga e volto à casa da vovó. Também consigo ligar o gosto de xarope travoso a um carinho distante. Sempre que adoecia virava alvo do seu cuidado. Uma colher da beberagem da vovó me devolvia à vida. Para mim, o ranger da rede ainda soa como o piado de uma coruja, que mete medo. A janelinha do ônibus continua lugar de solitude, de introspeção. Ainda escuto o ressonar de quem amo nas madrugadas insones; muitos já morreram, mas o sopro de cada um me acompanha.
Não, não vejo beleza, ela brota de dentro da minha alma. Nos ancoradouros tento trazer o horizonte para mais perto. Desde menino sonhei em descosturar a linha que junta céu e mar. Os limites nunca me bastaram. Nasci com a eternidade no coração. Sonhar é preciso.
Quando medito, quero intuir o belo, desnudar o fino, florescer o deslumbrante. Cato pedregulhos para transformá-los em rubis. Emboto a alma para não ver o feio. Diante do excelso, exagero nos superlativos. Por causa da beleza aceito tornar-me estafeta das boas notícias, arauto da esperança, jardineiro da fé e paladino da paz.
Procuro trilhas bucólicas. Bosques matizados pelo verde perene me devolvem fôlego. Gosto das sua trilhas apertadas. Já perdi o medo dos labirintos. Não preciso encontrar saída, sequer solucionar mistérios. Basta-me viajar... Mas sem perder a alma.
por Ricardo Gondim
Postado por Flavio Alcantara às 09:20 0 comentários
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Se Deus existe, por que há pobreza?
O título deste artigo é um livro do teólogo Jung Mo Sung. Permito-me transcrever parte do primeiro capítulo:
Cristiano acelera e procura uma brecha no trânsito para aproveitar o semáforo ainda verde, mas a sorte não está do seu lado hoje. No momento em que ele chega ao cruzamento, o sinal vermelho acende e um guarda o olha da esquina com vontade de multá-lo. Ele pára e resmunga. Parece que nada dá certo. No serviço, só problemas. Está atrasado para um encontro na igreja, o trânsito está infernal e os semáforos parecem persegui-lo.
O que o consola no momento é o encontro do qual participará. Ele sabe que quando chegar vai esquecer seus problemas e, como num passe de mágica, se sentirá mais leve. É como se estivesse entrando no mundo dos deuses. Os amigos, a oração, a conversa sobre questões espirituais e aquele ar misterioso e envolvente da igreja: tudo isso faz valer a pena o sofrimento no trânsito.
Essa visão o faz esboçar um sorriso. O corpo relaxa um pouco e ele já se sente na ante-sala do mundo espiritual. Mas, eis que de repente, como que saído do nada surge à sua frente um menino maltrapilho com um limpador de pára-brisa na mão. Limpador é força de expressão, porque o pequeno objeto, da mesma forma que o menino, mais parece um sujador. Cristiano fecha instintivamente o vidro e com seu dedo indicador faz que “não!”.
O menor, teimoso como todos os meninos de rua, aproxima-se e esboça um gesto em direção ao pára-brisa. Cristiano repete que “não!” com uma voz firme e decidida. O menino se aproxima então de Cristiano e insiste com olhar triste e cansado: “moço, dá um trocado pelo amor de Deus! Tô com fome, moço…”.
Um sentimento de impotência invade Cristiano e ele se sente paralisado. Parece que o tempo parou. Ele quer dizer que não tem trocado, mas a voz não sai. Sente-se culpado, mas não sabe do quê. Quer dar um trocado, mas seu corpo não lhe obedece. Parece trancorrer uma eternidade naquele rápido instante.
Quando o mal-estar parecia insuportável, o semáforo abre e a buzina do carro de trás o resgata daquele “tempo eterno”. Cristiano se vê salvo pela loucura do trânsito e deixa o menor para trás. Está de volta à correria das ruas e à expectativa de chegar à sua igreja no horário.
Algo de diferente lhe acontece, entretanto. Ele não consegue esquecer o olhar do menino. Ele tenta, mas não consegue. Começa a cantar uma música, uma das que está acostumado a cantar nas reuniões do seu grupo, para ser se esquece, mas não dá certo. É como se o menino tivesse imprimido na memória de Cristiano o seu olhar triste e cansado. Um olhar de apelo. Ele se sente interpelado e um sentimento de impotência o toma com força. Mais do que isso, ele começa a se sentir culpado.
Para se defender do sentimento de culpa, Cristiano reage contra a lembrança de acusações desferida aos ricos e de classe média que ouviu. Não se lembra de quem fez as acusações e nem de quando foram feitas, mas, quase que desesperadamente, procura reafirmar sua inocência diante do sentimento de culpa e esquecer-se dele.
Nem o ambiente da igreja nem os amigos parecem ajudá-lo. Há algo de errado com ele. Pragueja contra o menino e seu jeito de falar “pelo amor de Deus, moço…”. Quem é ele para entender de amor de Deus! Alguém que nunca deve ter ido a uma igreja e que deve estar cheio de pecados… Definitivamente, Cristiano não consegue tirar o menino de sua mente. Ele olha para seus companheiros de fé e os vê muito distantes, como se em outro mundo. Perto dele, mas muito longe dali, só está o menino.
Cristiano sente uma vontade grande de compartilhar essa experiência na reunião. Várias vezes ameaça levantar a mão para pedir a palavra, mas o braço parece pesar toneladas. Quer falar, mas não tem coragem. Como que justificando, ele diz para si que esse assunto não tem nada a ver com a reunião. Que só iria atrapalhar e desviar a conversa tão espiritual e agradável do momento.
Na saída, ele dá carona a um amigo e conta sua experiência e a vontade de ter compartilhado o assunto na reunião. O amigo lhe diz: “você fez muito bem em não falar. Isso só iria tumultuar a reunião e desviar o assunto. Afinal, o mais importante, o essencial na igreja não são as questões materiais, por mais que pareçam urgentes e graves. Não podemos esquecer que o essencial é a salvação espiritual. As questões sociais e políticas não devem se misturar às questões espirituais. Na igreja devemos cuidar do espírito. As questões materiais devem ser cuidadas pelos que são responsáveis por elas”.
A resposta do amigo aquietou um pouco o coração de Cristiano. Ela parecia lógica e confirmava tudo o que ele havia aprendido na sua vida de igreja. Apesar de não conhecer muito coisa de religião.
Antes de se deitar, Cristiano pára num de seus lugares preferidos da casa: um pequeno e improvisado espaço de oração. Lá, ele olha para um quadro belo e antigo que ganhara na infância: Francisco de Assis. Fazia um bom tempo que não prestava atenção no quadro, parte do cenário habitual. Mas, nesse momento, algo fez com que ele visse o quadro de um outro jeito – o que ele não devia ter feito. A visão de Francisco de Assis cuidando dos pobres lhe trouxe de novo o olhar do menino. E sua cabeça voltou a fervilhar. Só que com uma diferença: era como se ele recebesse uma luz e conseguisse ver mais claramente as perguntas que lhe corroíam por dentro.
Muitas vezes, Cristiano participara de reuniões de orações em comunidade em que se pedia ajuda material e econômica para algum membro ou até mesmo para ampliar e melhorar as dependências da igreja. Ele próprio já pedira a Deus para resolver algumas dificuldades financeiras. Se isso não era errado, como dizer que a religião não tem nada a ver com as questões materiais? Mal terminara de se fazer a pergunta e lhe veio à mente as cenas prediletas do filme sobre a vida de Francisco de Assis: o jovem Francisco cuidando e dando de comer aos pobres abandonados da cidade de Assis. Ele começava a pressentir algo estranho. Percebia uma incoerência entre sua prática religiosa e sua admiração por pessoas, como Albert Schwweitzer que, em nome da fé cristã, dedicara sua vida às pessoas mais pobres e sofridas, e o discurso de que a religião só trata do espírito e não se envolve com questões materiais.
Agora ele não entendia mais por que havia tanta polêmica em torno da relação entre a fé cristã e os problemas sociais. Antes, a separação entre espiritual e material lhe parecia clara, mas agora bem mais complexa. Começava a desconfiar que vidas admiráveis de cristãos como Francisco de Assis, Martin Luther King Jr e o bispo sul-africano Desmond Tutu entravam em contradição com tal separação.
Além disso, começou a perceber que o mal-estar experimentado junto ao menino e durante o resto da noite não era um simples mal-estar. Era a mistura de dois sentimentos: o de sentir-se interpelado e o de perceber-se impotente. Era como um fogo queimando dentro do peito, tirando a paz que ele sempre buscara na religião. Era uma sensação muito diferente das sentidas nos encontros da igreja, que lhe traziam paz e leveza. De repente, lembrou-se de uma expressão que ouvira na adolescência e que nunca entendera direito: do encontro com Cristo nasce uma “paz inquieta”.
É certo que o que Cristiano estava sentindo era muito mais inquietação do que paz, mas ele começava a entender o significado dessa “paz inquieta” da fé cristã.
Então, o que poderia ser feito? Os problemas são tão grandes! Sentiu uma grande vontade de dizer bem alto: “o mundo é assim mesmo. Eu não tenho culpa!”. Mas, havia algo que o impedia de fazê-lo. Era como se no fundo do coração uma pequena voz sussurrasse: “o mundo não deve ser assim!”.
Cristiano se sentiu muito cansado. Resolveu que não poderia responder todas as perguntas e nem tomar todas as decisões numa só noite. Foi se deitar. Custou a dormir, pois sabia que algo de muito importante havia acontecido em sua vida. Aquele Cristiano que agora procurava descansar não era mais o mesmo de antes. Dormiu desconfiado de que não apenas ele estava mudando, mas também o seu cristianismo.
SUNG, Jung Mo. Se Deus existe, por que há pobreza? São Paulo: Ed. Reflexão, 2008, p. 19-24.
Via Estrangeira
Postado por Flavio Alcantara às 08:57 0 comentários
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Servir a Deus é isto?
Servir a Deus é sacrificar o seu lazer semanal do domingo para durante uma ou duas horas discutir o sexo dos anjos e outros assuntos afins?
Servir a Deus é imbuir-se de um inflamável espírito de triunfalismo que não admite derrotas e desilusões, como se o viver fosse a própria negação do sofrimento?
Servir a Deus é não questionar nada que vá de encontro às “verdades espirituais” preconizadas pela sua instituição religiosa?
Servir a Deus é estar diuturnamente preocupado em ganhar o mundo para Cristo, esquecendo os cuidados básicos com os seus, em seu próprio lar?
Servir a Deus é construir templos suntuosos e colocar líderes impecavelmente vestidos em seus ornamentados púlpitos “cristãos”, para serem vistos como intocáveis e irrepreensíveis oráculos do reino dos céus?
Servir a Deus é mostrar cada vez mais ostentação e riqueza à medida que a igreja cresce numericamente?
Servir a Deus é ter muita cautela para não estabelecer com o seu Pastor uma relação espontânea de amizade e afeto, para que ele não o reprove nem o censure?
Servir a Deus é se martirizar dia a dia, mascarando a sua própria individualidade, numa tentativa inócua de exteriormente, identificar-se com o seu líder?
Servir a Deus é infundir medo nos corações das pessoas, para que elas se rendam e fiquem passivamente aprisionadas entre as quatro paredes “sagradas” do templo?
Servir a Deus é vender planos pessoais de salvação em prestações suaves e módicas com juros supostamente menores que os de mercado?
Servir a Deus é dizer para a criança que se ela não se comportar decentemente na igreja, Jesus fica triste e o Diabo alegre?
Servir a Deus é trocar a estrutura familiar opressiva por um sistema religioso que desumaniza em vez de humanizar?
Servir a Deus é torcer pela igreja como quem torce por um time de futebol, onde o que mais interessa é a vitória, mesmo com gol roubado pelo juiz da partida?
Servir a Deus é abdicar da liberdade de discordar, a fim de manter uma relação de amizade aparente com o seu líder?
Servir a Deus é nunca tentar fugir dos padrões convencionais do culto evangélico pasteurizado?
Servir a Deus é ter todo o seu tempo dedicado ao cumprimento das obrigações eclesiásticas?
Servir a Deus é se imiscuir no meio de multidões ruidosas em passeatas para Cristo, sem atentar que o que elas mais almejam é demonstrar o “poder político” de suas instituições eclesiásticas?
Servir a Deus é buscar apaixonadamente a hegemonia de sua igreja, mesmo que para atingir este objetivo, tenha que falar mal das outras denominações?
Servir a Deus é um investimento que fazemos com muito suor e sacrifício, no intuito de lá na frente, recebermos uma grandiosa recompensa?
Servir a Deus é fazer amigos com as riquezas adquiridas de maneira suja, para depois de lavá-las, serem trazidas ao altar, com o rótulo falso de “dinheiro purificado?
Servir a Deus é fazer parte de uma engrenagem que para manter a coesão do grupo se faz necessário adiar por tempo indeterminado o amadurecimento pessoal?
Servir a Deus é deixar de desfrutar as delícias que Ele nos deixou aqui na terra, em troca de uma castradora e violenta religiosidade?
Servir a Deus é combater compulsivamente os erros dos outros, e fechar os olhos para os demônios que habitam dentro de nós?
Ao responder com um SIM as perguntas acima, o leitor estará simplesmente concordando que, SERVIR A DEUS é prendê-Lo nos limites estreitos de uma instituição, instituição essa, que à maneira de um asilo, oferece guarida a nossa loucura de pensar que podemos definir o indefinível, de pensar que podemos reduzir ou conceituar o indecifrável, de pensar que podemos mensurar ou fixar conceitos e regras sobre um Deus que é indizível e que está em pleno e puro movimento.
E assim, como doentes mentais que perderam a maravilhosa capacidade de pensar, vamos perecendo pela vida afora. Vamos perecendo, ao permitir que outros pensem por nós, guiando-nos aleatoriamente nas densas trevas da ignorância.
Há um ditado popular que expressa uma cruel realidade, ao afirmar que a Bíblia do protestante cheira a “sovaco” por estar sempre debaixo da axila direita; ao passo que a do católico cheira a “mofo”, por estar sempre posta num oratório, eternamente aberta em um dos capítulos do livro de Salmos.
Uma interessante passagem do livro de Isaias (730 a.C.) reflete com todas as letras o estágio em que nos encontramos hoje, senão vejamos:
“...Dá-se o livro ao que não sabe ler dizendo: Por favor, lê isto; e ele dirá: Não sei ler. Diz o Senhor: Este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim. O seu temor para Comigo consiste só em mandamentos de homens, em coisa aprendida por rotina”. - Isaias 29; 12 e 13
Que pena! Depois de decorridos tantos anos, se faz necessário evocar uma frase emblemática dita pelo profeta Oseias (700 AC) cujo eco, ainda hoje, continua a bater forte nas paredes resistentes de muitos corações: “O meu povo padece por falta de conhecimento”.
Por Levi Bronzeado. via Púlpito Cristão
Postado por Flavio Alcantara às 07:16 0 comentários
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Eventos evangélicos que dão apoplexia
Por
Ricardo Gondim
Menino prodígio pregando, fantasiado de pastor. (Tenho vontade de esganar os pais, os líderes que deixam esse tipo de excrescência e a multidão imbecilizada que ainda consegue dar glória a Deus).
Marcha para Jesus em São Paulo. (Sei que esse “carnaval-gospel-fora-de-hora” acontece em outras cidades, mas nenhum consegue ser tão ruim).
Pastor entrevistando demônio. (Além de considerar desprezível o que um demônio tenha para dizer, acho esse tipo de coisa uma violência contra a dignidade humana).
Evangelista empetecado prometendo prosperidade. (Tais mercadejadores da esperança povoarão a esfera mais baixa do mundo subterrâneo de Dante).
Profecia em programa de rádio. (O pastor chuta afirmando que algum motorista está triste e que Deus mandou aquele recado; pateticamente acerta todas).
Conferência missionária que atrela a miséria da Africa à idolatria. (As veias do meu pescoço incham quando ouço alguém dizer que os Estados Unidos ficaram ricos porque são “uma nação cristã”).
Testemunho de cura divina em cruzada evangelística (Que tristeza ouvir velhinha contar que foi curada de caroço, dor nas pernas e da coluna! Os que têm o dom de cura devem dar plantão na Ala dos Indigentes do Hospital do Câncer ou em ClInica de Hemodiálise).
Sermão entrecortado com língua estranha (Será que as platéias não percebem o exibicionismo?).
Político se convertendo em ano eleitoral (Que mico; nojo se mistura com vergonha!)
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Para informação, de acordo com Aurélio:
apoplexia
Substantivo feminino. Med.
1.Afecção cerebral que se manifesta imprevistamente, acompanhada de privação dos sentidos e do movimento, determinada por lesão vascular cerebral aguda (hemorragia, embolia, trombose).
Postado por Flavio Alcantara às 11:25 1 comentários
terça-feira, 22 de setembro de 2009
No seu lugar o que Jesus faria ?
A seguir Jesus saiu dos arredores de Tiro e atravessou Sidom, até o mar da Galiléia e a região de Decápolis. Ali algumas pessoas lhe trouxeram um homem que era surdo e mal podia falar, suplicando que lhe impusesse as mãos.
Depois de levá-lo à parte, longe da multidão, Jesus colocou os dedos nos ouvidos dele. Em seguida, cuspiu e tocou na língua do homem. Então voltou os olhos para o céu e, com um profundo suspiro, disse-lhe: “Efatá!”, que significa “abra-se!” Com isso, os ouvidos do homem se abriram, sua língua ficou livre e ele começou a falar corretamente.
Jesus ordenou-lhes que não o contassem a ninguém. Contudo, quanto mais ele os proibia, mais eles falavam. O povo ficava simplesmente maravilhado e dizia: “Ele faz tudo muito bem. Faz até o surdo ouvir e o mudo falar”. Marcos 07-31-37 (NVI)
Aquele que já teve a oportunidade de receber aconselhamento pastoral, já ouviu pelo menos uma vez, naquele momento em que o pastor não tem mais o que te dizer, aquele célebre jargão: “Meu irmão, pense no que Jesus faria se estivesse na mesma situação que você”.
Por mais paradoxial que pareça, as mesmas pessoas que recitam essa frase de trás para frente, de frente para trás como se fosse um palindromo, na maioria das vezes não se atentam a este “conselho”, pois caso o fizessem, as situações que enxergamos no “mundo gospel”, não estariam levando o movimento evangélico brasileiro a passos largos para a degradação e a perda de credibilidade.
Imagino Jesus vivendo no nosso cenário. Será que Ele cobraria R$ 5.000,00 mais viagem de avião, hotel 5 estrelas, traslados, 10 toalinhas brancas 100% algodão, 35 copos de água mineral gaseificada a temperatura de 13º C, para fazer uma pregação de uma hora em um evento qualquer? Será que ele viria em rede nacional vender Biblias de R$ 900,00 para a viória financeira (de quem?) ? Será que ele construiria mega templos com cadeiras fofinhas, ar condicionado, som de cinema a custo de dízimos e ofertas? Será que ele compraria horários na TV para divulgar todos os supostos milagres que acontecem no seu mega templo? Será que ele protegeria e indicaria um punhados de pessoas de uma mesma família para diversos cargos e ministérios na sua igreja local, porque eles tem o dizimo mais alto? Será que ele lideraria as campanhas de sete dias de sete orações a sete horas a sete reias ? Será que ele gravaria um CD intitulado “Hinos na voz de Jesus”? Será que ele “fritaria” os menos influentes e de dízimo menor na sua igreja local, mesmo que eles tenha disposição para executar um bom trabalho, por causa de outros interesses? Será que Jesus usaria laque no cabelo e colocaria lentes de contatos para ficar mais apresentável nas pregações? Ele teria jatinho particular para suas viagens? Empresas para lavagem de dinheiro no seu nome? Tentaria entrar em um páís com dinheiro não declarado em uma biblia? Será que ele encomendaria a morte de adversários ? Será que ele transformaria suas pregações em um Show da Fé? Será que ele compraria uma editora e venderia livros , dvds e cds ao povo em parcela de 3 sem juros? Jesus ungiria rosas, bexigas, toalhas, lenços curadores? Jesus expulsaria da sua igreja local todos aqueles que não concordam com as suas idéias?
Bem, acredito que essas são algumas das perguntas das milhares possiveis, mas, tenho certeza que elas já são suficiente para mostrar com prescisão como temos sido hipócritas e contráditórios como movimento cristão. Os apóstolos contemporaneos querem marketing e estar em evidência como homens de Deus, Jesus queria anonimato.
Jesus estava junto aos necessitados, vivia a realidade deles, os nossos vivem luxo, fazem exigências, não dão de graça o que de graça receberam. Jesus fazia milagres sem propaganda, pedia silêncio, os nossos apóstolos compram horário na TV para divulgar seus “feitos”, aliás se eles curam tanto como dizem que curam porque não estão ( como Jesus estava ) nos hospitais orando e curando pessoas? Caso acreditassem na interpretação que fazem da Biblia, estariam agora mesmo ajoelhados nos corredores das clinicas de cancer infantil, nas hemodialises nas alas de infectologias dos hospitais. Jesus era cercado depessoas necessitadas que precisavam de alguma misericórdia, os nossos pregadores estão cercados de figurões.
Jesus ensinava um evangelho de salvação, os nossos um pra ficar rico.
A verdade é que não temos mais pastores ( claro , com as devidas e poucas exceções ), mas empreendedores evangélicos que estão mais preocupados com crescimento, expansão e lucro do que em perpetuar amor e justiça ( que aliás é o papel da igreja ) neste mundo. A igreja se omite em dar respostas para o sofrimento humano. Esses modelos empreendedores não abarcam a complexidade do sofrimento universal. Enquanto nossos líderes não refletirem na mesma questão que eles normalmente nos colocam: “ O que Jeus faria no seu lugar?” dificilmente faremos algum progresso relevante como igreja.
Flavio ( FHCA®)
Postado por Flavio Alcantara às 07:31 2 comentários
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Vamos abandonar as futilidades da nossa vida cristã?








”O sofrimento religioso é, a um único e mesmo tempo, a expressão do sofrimento real e um protesto contra o sofrimento real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma de condições desalmadas. É o ópio do povo.”
Karl Marx, "Uma Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel" (1844)
Não sou socialista e nem comunista, mas olhando para esta frase daquele que é considerado o pai desses movimentos, Karl Marx, sou tentado a concordar em parte com esta observação: “A religião é o ópio do povo” .
Se verificarmos que o ópio, substância extraída da planta chamada papoula, que deprime o sistema nervoso, causando no individuo um efeito narcótico e entorpecente, e analisarmos com muito cuidado o que a religião tem feito com as pessoas (principalmente do cristianismo de corte evangélico ) concluiremos que são quase os mesmos efeitos. Nossas igrejas estão cheias de pessoa vitimas de amnésia, hipnose, perda de sensibilidade e do bom senso, alucinadas, enfraquecidas, alienadas, deblilitadas , entibiadas e entorpecidas, por culpa das práticas religiosas praticadas nos últimos tempos.
Muitas igrejas tem feito vítimas espirituais, plantando nelas a obsessão pelas futilidades desta vida. Ao buscar dinheiro, conforto e luxo, as pessoas nem se lembram que vivemos num mundo de altissima desigualdade social, onde a fome atingiu 1 bilhão de vitimas no nosso planeta ( conforme notícia publicada pelo UOL ), e que num passeio pela cidade vemos pelo menos uma família sobrevivendo nas esquinas e debaixo das pontes. Constrói-se templos faraonicos para a “Glória de Deus !?”, organizam-se eventos gigantescos para a “Glória de Deus !?”, pagam-se fortunas em caches para pregadores e artistas gospel para a “Glória de Deus !?” . Qual glória? A glória de desigualdades e das futilidades? Que glória? De ser chamado de Deus indiferente, insensível e apático por existirem os grandes problemas humanos , porque sua igreja não consegue executar o pedido de encher este mundo de amor e justiça, mas, ao contrário, está ajudando a desseminar as injustiças sociais?
Acredito que devemos repensar nossos atos e objetivos. Acredito de todo a minha alma no ideal cristão, mas me decepciono com a religiodade cristã todas as vezes que vejo a corja evangélica brasileira e suas atitudes. Desde a campanha dos R$7,00 do Marco Feliciano aos R$ 900,00 da Biblia do Silas Malafaia ( absurdo num pais onde o salario minimo é R$ 465,00). Das estravagãncias do “pseudoapóstolo “ Valdomiro e do clã Valadão, a cara de pau do casal Hernandez e do outro pseudoapóstolo Rene Terra Nova e seu companheiro Edir Macedo. Sem contar todos os convites que recebo todos os dias para participar das grandes concentrações, vigilias, campanhas de como conquistar, subir na vida, cursos da tal “batalha” espiritual, etc. tudo regado a muito dinheiro.
Nesses momentos tenho a mesma impressão de Marx: “ a religião é o ópio do povo”. A religiosidade brasileira influenciada pelos ideias americanos de consumo e boa vida está destruindo a mensagem do Evangelho.
Mas como disse acima, acredito no ideal cristão e sei que não sou uma única voz, e tenho convicção que com muito trabalho conseguiremos ocupar o espaço reservado a Igreja neste mundo, que com certeza não é ficar vendo o tempo passar mofando nos templos, numa busca sem fim por prosperidade, mas indo ao encontro do foco do amor de Deus: as pessoas.
Flavio (FHCA ®)
Postado por Flavio Alcantara às 09:15 3 comentários
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Se isso é a igreja, sou mais o meu quarto
Orignalmente publicado no Blog Estrangeira
“Assim, pois, as igrejas em toda a Judéia, e Galiléia e Samaria tinham paz, e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e consolação do Espírito Santo.” – At 9.31
“E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.” – Ef 1.22-23
“A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo; para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor, no qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele. ” – Ef 3.8-12
Já ouvi muitas fábulas em relação à permanência dos crentes numa igreja. Uma delas diz que a igreja é igual à arca de Noé, um lugar cheio de bichos e suas necessidades fisiológicas, e que cheira mal, porém é melhor estar lá dentro do que lá fora em meio ao dilúvio. Outra diz que crente é igual uma abelha: num enxame (ou igreja), vence qualquer inimigo; sozinho, morre num tapa só. Daí a se pensar que a igreja é um organismo super-poderoso, e deve ser mesmo, afinal é nada mais, nada menos que o Corpo de Cristo, Daquele que venceu a morte e o inferno ao levar sobre Si todos as maldições e enfermidades da raça humana. Mas será que a Igreja de Cristo é isso que vemos?
É muito fácil abrir uma igreja. Aluga-se uma garagem e já dá para iniciar uma congregação. Pensa-se num nome pomposo (que tal Igreja Transcontinental da Majestade do Alto? – está muito difícil achar um nome de igreja que não exista), convida-se os vizinhos e amigos e pronto: temos uma Igreja! Se fosse só isso estaria ótimo, o problema é o que é ensinado e vivido por lá.
Já percebeu como sempre há a mesma desculpa para a abertura de uma nova denominação (corrupção da antiga, envolvimento com maçonaria, erros doutrinários, etc), porém na nova se repetem os mesmos, ou até piores, erros da anterior? Ou seja, não há a intenção real de se fazer uma Igreja segundo a Palavra, apenas a de se criar mais um papado.
Sim, papado. A Igreja evangélica brasileira é próspera em papas. Há o Bento XVI e há o papa de cada denominação. Cada fundador se torna um papa, infalível e insubstituível. A permanência no poder é eterna, e os estatutos asseguram que a igreja não sairá de suas rédeas curtas. Quem ousa se levantar contra o “papa” é logo taxado como em rebelião, e expulso ou convencido sutilmente a deixar a denominação. E assim uma nova igreja é criada, e o círculo se repete indefinidamente, causando estranheza principalmente em quem não é cristão, pela quantidade absurda de placas diferentes.
Fico imaginando se Lutero vivesse nos dias de hoje… em seu tempo, precisou se opor a apenas um papa. Hoje, teria que imprimir milhares de teses, uma para cada papa evangélico. Um Lutero só não conseguiria fazer isso não!
O absurdo das várias denominações é tão escancarado que basta andar pelas ruas das cidades para o verificar. Aqui em São Paulo, na Av. Águia de Haia (zona leste da capital), há 6 anos atrás havia três denominações na mesma quadra. O pior: três casas (ou templos) grudados, um depois do outro, porta com porta. Sinceramente, a intenção nesse lugar é evangelizar ou apenas demonstrar o poder da sua denominação que, claro, precisa gritar mais do que as outras vizinhas caso os cultos sejam no mesmo horário? E isso não acontece só nessa rua, acontece em todos os lugares: se as igrejas não são vizinhas de porta, são de quadra, de rua. Mas o lugar permanece ruim e violento do mesmo jeito.
Nós somos chamados para ser sal e luz. Como sal e luz mantém um lugar insosso e escuro? Como, em meio a tantas igrejas, ainda há pessoas morando nas ruas, pessoas se drogando, se prostituindo, roubando e matando? Pessoas mentindo, enganando, chantageando, manipulando? Por que, com tantas igrejas, o Brasil está a cada dia pior? Não deveria ocorrer o contrário?
O que vou dizer agora poderá escandalizar muita gente, mas é o que penso: muitas que se dizem igrejas não o são, espiritualmente falando, não passando de um “clubinho de eleitos”. Você chega, entra no clube, paga a mensalidade, ouve as assembléias, se diverte (canta, dança, ri, chora, extravasa) e vai embora mais feliz, entretido momentaneamente. Aí chega em casa, a criança continua gritando, o marido bebendo, a vizinha atrapalhando, o chefe atormentando; afinal a instituição que se autodenomina igreja, apesar de citar a Deus, não Lhe dá espaço para atuação, preferindo a manifestação de espíritos dançarinos, saltadores, giratórios, que promovam bastante carnaval no recinto. Assim, enganados muitas vezes por “fogo estranho”, não deixamos o Espírito Santo agir em nós, nos transformando, e por isso continuamos vendo todos os defeitos nos outros e na droga de vida que temos.
Note bem, sou pentecostal, acredito nos dons espirituais, mas atribui-se ao Espírito Santo algumas coisas nas igrejas que só por Deus!!!
Se a igreja não consegue transformar quem está dentro, imagine transformar a realidade ao seu redor… E se a igreja não transforma vidas, apenas as “transtorna”, já não é igreja, não é congregação, comunhão, é apenas distração e sacrifício para almejar as bênçãos divinas.
É estranho, mas quanto mais aprendemos a Verdade da Palavra, mais distantes nos tornamos de uma igreja. Não deveria ser o contrário? Não deveríamos nos lançar com maior amor à congregação, sabendo que lá estaremos proclamando o amor ao próximo e a Deus?
O problema é que a igreja não nos transmite amor. Tudo é aparência. Os pastores não têm amor pelas ovelhas, e sim por tosquia-las. As ovelhas, por sua vez, querem estar mais próximas de seus pastores, e para isso não medem esforços, mesmo que seja necessário pisotear outras ovelhas que estejam em seu caminho. É cada um por si e Deus por todos. A igreja se tornou o reino do diz-que-me-diz, onde uns apontam os erros dos outros e todos se acham santos. Só que os erros são apontados não com amor, mas com juízo. Adulterar ou engravidar antes do casamento? Aparte-se de mim!!! Mas mentir e roubar um pouquinho poooooooode!
Mas não pára por aqui. É cada dia mais difícil ouvir uma pregação até o fim. São palavras previsíveis, de exaltação (quase nunca exortação), bom ânimo, esperança, revelações e revelamentos que nunca se realizam (essa noite Deus está curando suas feridas! – as feridas não são curadas, e no culto seguinte: essa noite Deus está completando a obra em sua vida! – e a obra não é completa, aí no culto seguinte a mesma coisa sempre). Não ouvimos pastores, ouvimos doutores em auto-ajuda: todas as bênçãos nos pertencem, somos cabeça e não cauda, o diabo está debaixo dos nossos pés, mas no dia seguinte ainda temos dívidas, problemas, doenças, vazio.
Será que Deus deixou de agir? Ou a instituição que se diz “igreja” é que fala por Ele com engano, a fim, mesmo que inconscientemente, de desacredita-Lo?
Não consigo mais ouvir sermões de auto-ajuda e falsas promessas. Não consigo mais sentar num banco de uma igreja, sabendo que a principal hora não é a da pregação, mas a da coleta. Não aguento mais uma hora de louvor, com bandas desafinadas e cantores “se achando”, provocando o choro fácil não por unção, mas porque, na assembléia dos santos, todos temos motivos para chorar. Simplesmente não aguento mais isso, e peço perdão a Deus se isso O desagrada, mas não quero ir numa igreja por falsidade e ficar vendo defeito em tudo, como foi das últimas vezes.
Eu queria frequentar A Igreja. Não a imagino um mega-templo, com poltronas acolchoadas, ar-condicionado, altar gigante. Eu a imagino uma casa simples, com pessoas simples independente de sua situação financeira. Eu a imagino um lugar onde a acolhida é com amor sincero, não com um risinho forçado e o “seja-bem-vinda-amada” de praxe. Eu a imagino com pessoas que contribuem voluntariamente e com alegria, e que se importam com o irmão ao lado, suprindo-o de acordo com suas necessidades. Sinceramente não consigo frequentar um local onde, em nome de Deus, são lançados gafanhotos devoradores sobre quem não paga a mensalidade. A Igreja que eu quero frequentar tem problemas, pois tem pessoas com problemas, mas lá é possível discordar, perguntar, até duvidar, sabendo que ninguém levará nada para o pessoal, continuando a haver amor apesar das diferenças. A Igreja que eu quero frequentar é uma em Deus, reflete Sua Graça e Misericórdia, Sua Alegria e Beleza, mesmo que, aos olhos humanos, possa não passar de um casebre. Na Igreja que eu quero frequentar mal dá para definir seus líderes, pois o maior se faz de menor, o serve e não busca ser servido. A Igreja que eu quero frequentar traz os ensinamentos de Deus, segue a sã doutrina, não as doutrinas temporárias de homens. A Igreja que eu quero frequentar transforma não só os que lá estão, mas toda a realidade à sua volta, pois se importa com os famintos, os drogados, os excluídos de toda a sorte.
Você conhece essa Igreja? Se conhecer, por favor, me passe com urgência seu endereço ou telefone. Se não a conhecer, infelizmente continuarei a congregar no meu quarto, pois não vou esquentar um banco qualquer apenas para aparentar santidade.
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Postado por Flavio Alcantara às 09:02 0 comentários
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Frases (evangélicas?) que não agüento mais
1. Amém? Está fraco. AMÉM? Amém ou não amém?
2. Quem quer receber uma bênção de Deus hoje, levante a mão.
3. Existe a lei da semeadura, e o número da conta é...
4. Isso é roubo, meu irmão; você nasceu pra ser cabeça, não cauda!
5. Esse acidente aconteceu porque você deve ter dado brecha.
6. O Diabo quer lhe destruir.
7. Estou vendo uma obra de bruxaria em sua vida.
8. Vamos quebrar as setas inimigas.
9. Nada vai impedir que você seja um conquistador.
10.Não há nada de errado com o dinheiro; o único problema é o amor ao dinheiro.
11. Nossa denominação ainda vai conquistar o mundo.
12. A partir de hoje São Paulo nunca mais será igual.
13. Nós somos um povo que não conhece derrota.
14. Venha para Jesus e pare de sofrer.
15. Você é filho do Rei e não merece estar nessa situação.
16. Temos a visão de conquistar a Europa para Cristo.
17. Essa doença não existe, ela é apenas uma ameaça do Diabo.
18. Deus está nos dirigindo para abrirmos uma igreja em Boca Raton.
19. Vamos amarrar os demônios territoriais que estão sobre o Brasil.
20. Todos os que fizerem a campanha das sete semanas alcançarão seus sonhos.
21. Compre esta Bíblia fantástica com os comentários de...
22. Estamos num mover apostólico e o avivamento brasileiro é semelhante ao do livro de Atos.
23. Teremos uma explosão de milagres na maior concentração religiosa da história.
24. Vamos ficar em pé para receber o Grande Homem de Deus, fulano de tal, com uma salva de palmas.
25. Quando vejo essa multidão de quinze mil pessoas, só tenho vontade de dizer que amo cada um de vocês.
26. O Reino de Deus precisa de um candidato na Câmara; vamos eleger nosso irmão que vai fazer a diferença.
27. Deus abrirá uma porta de emprego para você, meu irmão.
28. Semana que vem teremos mais uma sessão de cura interior.
29. Enquanto não pedirmos perdão ao Paraguai pela guerra, nunca seremos uma nação próspera.
30. Os Estados Unidos são uma bênção porque o presidente deles é crente.
31. Tudo é miçanga, só Deus é jóia.
32. Não sou dono do mundo, mas sou filho do dono.
33. Este carro ficará desgovernado em caso de arrebatamento.
34. Crianças, cantemos: “Cuidado olhinho no que vê, cuidado mãozinha no que pega... nosso Pai está olhando pra você”!
35. Olhe para o seu irmão do lado e diga: Eu amo você!
36. O Espírito Santo está me revelendo que existem ladrões nesta igreja que não entregaram seus dízimos.
37. Ah, seu problema é maldição hereditária.
38. Quando você não entrega o dízimo na casa de Deus, Ele não tem compromisso financeiro com você.
39. Quero que vocês dêem uma oferta especial para manutenção do nosso programa de rádio e TV, pois foi Deus quem mandou pregar na mídia.
40. Ora em línguas aí, irmão.
41. Restitui, eu quero de volta o que é meu.
42. A visão da nossa igreja é evangelizar. Obra social é com o governo.
43. Abram suas Bíblias no livro "X". Quem encontrou diga amém, quem não encontrou diga misericórdia.
44. Eu gostaria de cumprimentar a igreja com a paz do Senhor (se gostaria, então cumprimente, ou vai ficar na vontade?).
45. Abra o seu coração (como?).
46. Deus está aqui (que algo mais óbvio que isso).
47 - Deus está curando voê, minha irmã, deste nódulo no seio que você nem sabia que tinha (depois dessa, dizer mais o que).
48. Deus está operando poderosamente (alguém já viu Deus operar "meia-boca"?).
49. Deus vai enxugar suas lágrimas (O que dizer? Como é fácil falar).
50. Tá amarrado! (alguém sabe quanto tempo o Diabo leva para se desamarrar?).
51. Deus vai dar à nossa igreja um programa na Globo (tô com uma pulga atrás da orelha. Acho que esse pastor quer figurar na novela das 8).
52. Irmãos, Deus me deu revelação. Esse será o ano de Elias, de Josué, de Gideão, de João Batista... (Não parece calendário chinês?).
53. Abra a boca e profetize; as palavras têm poder.
54. Hoje eu deixo de ser crente se Deus não operar um milagre. (Por favor, deixe mesmo!)
55. Meus irmãos, estas igrejas que usam rosas ungidas, sal grosso para descarrego, etc., não são de Deus!....Ao final do culto tragam seus documetos, carteira de trabalho, chave de casa e do carro para ungirmos, pois aqui a coisa é diferente, Deus opera!
56. Não diga isso. As palavras têm poder!!
57. Incendeia tua noiva, Senhor.
58. Seja um adorador extravagante!
59. Fui chamado para ser um levita na casa do Senhor. Posso cantar na sua igreja e vender meus CDs?
60. Não podemos fazer da igreja um clube.
61. Sendo dizimista, você pode colocar Deus contra a parede.
62. Meus irmãos, é hora de mudar o Brasil.
63. Quem tem um caroço em qualquer lugar do corpo, levante a mão que Jesus vai curar agora.
64. A Rede Globo conspira contra a igreja.
65. Quanto mais glória você manda pra cima, mais glória Deus manda pra baixo.
65. Não dá o dízimo na casa de Deus, mas acaba "dando" na farmácia (Hum, não sei não!)
66. Você que não dá o dízimo não tem moral pra exigir nada de Deus.
67. Vamos pisar na cabeça do diabo; o Diabo só conhece o número do meu sapato.
68. Quando o crente ora, deve esperar retaliação do Diabo.
69. Sabe qual o nosso problema? O mundo está entrando na igreja.
70.Eu soube que o Anticristo já nasceu e está se preparando para aparecer.
71. Eu soube de um pastor que encontrou uns feiticeiros que estavam jejuando para fazer os pastores caírem.
72. O Rei Leão da Disney é gay!
73. Minha irmã, você precisa da nossa cobertura! (essa é quase pornográfica).
74. Não esqueça de enviar os boletos bancários que eu prometo subir o monte nesta madrugada e interceder por sua vida.
75. Não fique triste com a morte do seu filho (ou com seu divórcio, ou com sei lá o que). Tudo tem um propósito e Deus sabe o que faz.
76. Irmãos, hoje o Senhor falou comigo pela manhã para trazer esta palavra.
77. Orei e a chuva parou.(então ora e manda chuva pro nordeste, não é?)
78. Estou sentindo uma opressão aqui.
79. Hoje vamos ouvir o testemunho do Irmão que era ex-gay, ex-traficante, ex-drogado, ex-macumbeiro, ex-cafetão, ex-morto, ex-satanista, ex-sei-lá-o-que e que agora é crente!!!
80. Todo inimigo, fora daqui!
81. Posso ouvir 3 aleluias e 8 améns?
82. Cuidado para não perder a benção, irmão.
83. Não adianta fugir de Deus, Ele vai ter pegar na curva.
84. Se não vier pelo amor, vem pela dor.
85. Sabe quanto custa uma consulta, uma internação? Dar o dízimo é mais barato.
86. Deus me revelou que 50 irmãos vão contribuir com mil reais cada um. Quem é o primeiro? Se não tem ninguém, então devem existir aqui 50 valentes que vão contribuir com quinhentos... Agora chegou a sua vez, meu irmãozinho querido. Todos vocês que sobraram tragam suas ofertas de um real. (Que leilãozinho ordinário, heim?)
87. Tomara que ao sair daqui um carro não passe por cima de você; vou orar para que Deus lhe dê mais uma chance.
88. Não troque sua salvação por um copo de cerveja.
89. Nesta noite Deus vai disribuir dar sapatos de fogo (Eu prefiro os de couro!)
90. Infelizmente ele preferiu morrer sem salvação do que voltar pra nossa igreja.
91. O diabo tentou impedir que você viesse aqui nesta noite, porque ele sabia que você seria revelado
92. Eu tinha preparado uma mensagem, porém o Espírito Santo quer que eu pregue sobre santidade (...E dê-lhe regrinhas!).
93. Deus confirmou a mensagem desta noite enquanto a irmã cantava aquele hino.
94. Dê o melhor que você tem , Deus não quer troco de ônibus.
95. Tire a melhor nota que você tem e ofereça o melhor sacrificio ao Senhor.
96. Tive uma visão que no estacionamento da igreja só tinha carro zero km.(Acho que ele confundiu a igreja com a concessionaria ao lado).
97. Minha teologia é joelho no chão!!!(Essa teologia é no mínimo esquisita).
98. Deus conhece a sinceridade do meu coração! Eu preciso da sua ajuda para manter este programa no ar e o número da conta é... (Sim, eu sei que Deus conhece tudo. Eu é que estou com alguma suspeita).
99. Se você sair de férias e não deixar o cheque do dízimo vai dar tudo errado na sua viagem. (E agora? Esqueci! Deve ser esse o motivo porque furou o pneu do carro)
100. Deus não escolhe os capacitados mas capacita os escolhidos. (Há muitos pastores repetentes nessa escola de capacitação).
101. Não toque contra o ungido do Senhor. (Chavãozinho para proteger os líderes inseguros).
102. Não diga a Deus que seu problema é grande; diga ao seu problema que o seu Deus é grande. (Poesia de quinta categoria]
103. Você é a menina dos olhos de Deus [com remela?]
104. Aqui é uma igreja diferente (Sério? Então tá].
105. Se vocês confiam em nós, pastores, para trazer a palavra de Deus, devem confiar na nossa administração das ofertas. Não precisamos prestar contas a ninguém, só a Deus [Hummm. Acontece que a palavra foi fraquinha).
106. Chega de esperar; hoje o seu milagre vai chegar (Posso reclamar no Procon?).
107. Plante sua semente que você vai colher a cento por um (Pequenas igrejas, grandes negócios).
108. Deus sabe de todas as coisas (Que clichê cruel, na hora que não tem respostas para uma questão).
109. "Mateus, Mateus, primeiro os teus" [Não entendi, hã?]
110. Comunico o falecimento do irmão Fulano. Infelizmente, perdemos um bom dizimista (A família enlutada agradece pelo gesto de solidariedade...).
111. Depois do culto, compre meus livros e CDs de mensagens. Vão abençoar o ministério infantil que cuido. Tenho quatro filhos (Se a piada é sem graça, imagine a mensagem dos Cds e livros.).
112. Olhe para o irmão do lado e diga "você está bonito hoje" (Por que tenho que fazer esse tipo de coisa? Logo eu que sou gaúcho?).
113.Tem gente que lê muito e só cresce em sabedoria humana. O importante é o conhecimento de Deus ["conhessimento" com dois "esses", provavelmente...]
Acho que chega, não? A lista do besteirol parece não ter fim.
Soli Deo Gloria.
Via Site Ricardo Gondim
Postado por Flavio Alcantara às 09:07 1 comentários
O sujo falando do Mal Lavado!!!
Em um discurso de nove minutos, o pastor pentecostal Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, atacou a Igreja Universal do Reino de Deus por conta da chamada "guerra das TVs". A informação é da coluna "Ooops!", do UOL.
Dizendo-se enviado por Deus na missão de defender o povo evangélico da guerra entre as emissoras, Malafaia comparou a Record com um "império do mal", diz a coluna. A Globo foi poupada no discurso do pastor.
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"Como é que uma igreja investe milhões numa TV só pra ganhar audiência? Todo tipo de imoralidade numa TV bancada com dinheiro de oferta e de dízimo?", diz Malafaia durante o vídeo.
"Eu estou aqui abismado, e a igreja evangélica está sendo botada em uma guerra em que nós não temos nada com isso. Lá atrás, quando eu defendi vocês, nós tínhamos um ideal, porque a outra emissora era imoral, era contra a família, e qual é a diferença hoje?", continua o pastor.
Malafaia ainda aproveitou o vídeo para mandar um recado pessoal para Edir Macedo, líder da Universal. "Vou te dizer... Lúcifer, Satanás... Eles caíram por três motivos, irmão: soberba, multiplicação do seu comércio e poder. Estou vendo a história se repetir com vocês."
A "Ooops!" informa que a Igreja Universal foi procurada pela coluna para se manifestar sobre o vídeo mas, até o momento, não se pronunciou.
A Record não quis se manifestar sobre o assunto.
Comentário de Genizah
- Malaveia enviado de "deus" na guerra das TVs! E ainda por cima acusando o "outro" de cobiça, multiplicação de comércio, prosperidade e ambição!
O mesmo "mala" que ontem estava fazendo "venda casada" de unção de prosperidade & Bíblia da Vitória por 900 paus? Em flagrante formação de quadrilha de apostasia com o Morris Ceroulas?
Passa amanhã!
São por estas e por outras que não se acha óleo de peroba na região da Penha no Rio de Janeiro! #CONSUMIDORCOMPULSIVO
via Genizah
Postado por Flavio Alcantara às 09:04 0 comentários


