Enxergo a soberania e plenitude de Deus ao ver os pássaros exaltando com júbilo pela manhã, celebrando com a mais linda canção o nascer radiante do Sol, enquanto borboletas, as flores aladas, em seu pleno vôo, polinizam e mostram sua sensibilidade majestosa, não com excentricidades religiosas sobre todo o poder que Deus tem pra fazer minha empresa sair do vermelho.
Contemplo suas maravilhas, não com uma visão pragmática, catalogando quantas pessoas receberam cura, ganharam dinheiro ou conseguiram bons empregos vindo ao meu templo. Contemplo suas maravilhas vendo o milagre da vida: um óvulo fecundando que se transforma em um bebe ou em uma semente que se transforma numa árvore. Admirando o mar, ou olhando as estrelas na imensidão do universo que nem consigo precisar o tamanho. A fotossíntese, as metamorfoses e as sinapses. Como sabiamente disse Davi: ”Os céus declaram a glória de Deus, e o firmamento proclama a obra das suas mãos” (Salmo 19:1 NVI).
Não consigo mais ouvir “pregadores” previsíveis, parafraseando e descontextualizando trechos da Bíblia para abarcar suas panacéias e seus discursos fantasiosos, repletos de chavões que ignoram em todos os seus níveis a realidade do mundo que estamos inseridos. Prosperidade, semeadura, vitórias, riqueza, dízimos, merecimento, escolhidos, Deus vingativo, aff.... pouco fala-se do cerne do Cristianismo: amor e graça. Investe-se em performace artistica com musica, gestos, apelo emocional e pouco conteúdo. A fragilidade dos ensinos é tão evidente que é refletida na maioria da literatura cristã. É impossivel olhar nas prateleiras das livrerias cristãs e ver os diversos “Manuais de como prosperar com a ajuda de Deus” ou as “fórmulas mágicas do sucesso”, os ensinos “teológicos” de auto-ajuda cristã. Sorte ainda existirem Tolstoi, Dostoiévski , C S Lewis, G K Chesterton, Phlip Yancey, Frederick Bueghner, Paul Tilich, Brennan Manning, Tim LaHaye, Ricardo Gondim, Mo Sung, Victor Hugo e Shakespeare, que em suas palavras fazem-nos tocar o divino.
Sou elevado naturalmente ao trono do Pai ao som de Tchaikovsky, Bethoven e Vivaldi sem a necessidade de fechar os meus olhos, levantar as minhas mãos, curvar minha cabeça e fazer declarações aleatórias como insistem a maioria dos ministros de louvor. Paschale Bona disse que a música é “arte de manisfestar os diversos afetos de nossa alma mediante o som”, logo se eles dominassem esta arte e tivessem tais afetos, não seria necessário tais estardalhaços para alcançar a presença de Deus.
A liturgia me irrita, os cultos programados e insosos aonde você entra, senta, levanta, canta, senta, ouve e vai embora. Não quero acreditar que o cristianismo se resume a isso.
Há um esforço transcedental em manter o “negócio” funcionando. Técnicas, “visões”, estratégias, construções faraonicas, entretenimento. O foco são os resultados, de ambos os lados, para quem mantem e para quem vai a igreja. Ficaram no passado os grandes pensadores e os grandes debates do inicio do século XX. Da mesma forma as expressões artisticas e culturais. Perdemos a sensibilidade humana de manter o equilibrio tranformando o casual em sagrado e o sagrado em casual. Nos preocupamos em ser igreja e não em “estarmos” igreja.
Fomos engolidos pelo ostrascismo. Contentamo-nos com pouco e com as superficialidades. Queremos todas as respostas prontas, e não nos fazermos novas perguntas. Uma vez ouvi que se no cristianismo não tivermos espaços para novas perguntas caimos em duas situações: ou perdemos o sentindo da nossa existência e da contemplação do divino, ou torna-mos tão arrogantes em nós mesmos que achamos que sabemos tudo.
Não podemos reduzir o cristianismo a simples esquemas religiosos. Não podemos resumir o plano de redenção de Deus a ir aos cultos todos os domingos. Paul Tilich disse que “Deus está para além de Deus”, e é rumo a esta realidade que devemos caminhar: rumo ao divino, fazendo a diferença no nosso mundo. Pessoas espetaculares como Luther King Jr e as questões da segregação nos EUA, Desmond Tutu na África do Sul lutando contra o Aparthaid, Wiberforce ajudando a derrubar o regime escravagista no parlamento Britanico, Madre Teresa apoiando e recuperando os desprotegidos em Calcutá e quantos outros anonimos que fazem a diferença no mundo todos os dias, são algumas das pessoas que entenderam a verdadeira mensagem em “Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a ti mesmo”.
Precisamos nos desvencilhar das campanhas, concentrações, surpestições, marchas que levam 2 milhões de pessoas sem propósitos para a rua para ouvir meia duzia de artistas que cobraram caches gigantescos e voltarmos onde caimos. Não precisamos reiventar o cristianismo, ao contrário, precisamos é traze-lo para as nossas vidas com a mesma simplicidade que ele foi nos dado nas palavras de Jesus: amor, amizade, relacionamento, justiça ( também social ), fazer o bem, perdoar, foco, lutas contra o ego, simplicidade, respeito, paternalismo, integridade, honestidade, liberdade, compreensão e sobretudo saber que a verdadeira igreja são pessoas, e Deus gosta de pessoas.
Flavio (FHCA ®)
Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Mais (muito mais) inquietações!!
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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
A Biblia Mágica

Infelizmente alguns pastores utilizam a Biblia como lampada do Aladim!!!
via ( http://jasielbotelho.blogspot.com )
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Segunda-feira, 22 de Junho de 2009
Sobre o Inimigo
Caramba, como se fala no diabo! Fico impressionado como ele se tornou necessário. O diabo suga a fé, derruba crente, se infiltra em poderosas redes de televisão, envia pragas, fura pneu de carro, provoca terremotos, conhece os limites dos municípios e domina territórios. Compete e ganha de Deus. É diabo para cá e para lá o tempo todo.
Se alguém está triste, advinha quem mandou a tristeza. Se alguém duvida, advinha quem mandou a dúvida. Se alguém adoece, advinha quem mandou a enfermidade. Arre! Chega! Será que ninguém vai assumir o que faz? Fica fácil culpá-lo já que o mundo inteiro está controlado, guiado, dominado, manipulado e organizado por Satã. Mas o Bicho merece o estatus de espantalho, Judas, bode expiatório? Até quando os humanos vão projetar nele suas mazelas?
Dá para compreender tanta importância. Como se levantaria dinheiro nas igrejas se o Capeta não fosse a estrela do show da fé? Como televangelistas inculcariam pavor nas pessoas se o Coisa-Ruim não fosse tão medonho? Como as poderosas multinacionais da fé subsidiariam seus projetos se o Demo não adquirisse tanta força? Confesso. Tenho medo de uma religião em que o mal se torna o pivô da espiritualidade. Fico apreensivo com uma fé que não pode prescindir de ameaças e arredio com uma ética constrangida pela possibilidade de Satanás ter direitos legais para arrasar as pessoas que erram.
Não discuto a sua existência. Fico apenas suspeitoso com tanta badalação. Eu já não gostava dele, agora não aguento mais ouvir falar na Peste. Por mim, Belzebu não receberia nenhum jabá. Eu não permito que ele dê o tom do meu culto a Deus; não aceito que seja a minha motivação para agir. Enfim, não deixo que ele tome o lugar de Jesus.
por: Ricardo Gondim
De: www.ricardogondim.com.br
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
Estou cansado
Sabe quando você tem a impressão que tiraram as palavras da sua boca? Me senti assim com este texto.
Flavio (FHCA ®)
Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.
Não, não me afadiguei com Deus ou com minha vocação. Continuo entusiasmado pelo que faço; amo o meu Deus, bem como minha família e amigos. Permaneço esperançoso. Minha fadiga nasce de outras fontes.
Canso com o discurso repetitivo e absurdo dos que mercadejam a Palavra de Deus. Já não agüento mais que se usem versículos tirados do Antigo Testamento e que se aplicavam a Israel para vender ilusões aos que lotam as igrejas em busca de alívio. Essa possibilidade mágica de reverter uma realidade cruel me deixa arrasado porque sei que é uma propaganda enganosa. Cansei com os programas de rádio em que os pastores não anunciam mais os conteúdos do evangelho; gastam o tempo alardeando as virtudes de suas próprias instituições. Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher os seus templos. Considero os amuletos evangélicos horríveis. Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas.
Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.
Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento "científico" da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.
Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.
Cansei de ouvir relatos sobre evangelistas estrangeiros que vêm ao Brasil para soprar sobre as multidões. Fico abatido com eles porque sei que provocam que as pessoas "caiam sob o poder de Deus" para tirar fotografias ou gravar os acontecimentos e depois levantar fortunas em seus países de origem.
Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar "piercing", fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.
Canso com os livros evangélicos traduzidos para o português. Não tanto pelas traduções mal feitas, tampouco pelos exemplos tirados do golfe ou do basebol, que nada têm a ver com a nossa realidade. Canso com os pacotes prontos e com o pragmatismo. Já não agüento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adotado no Brasil.
Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da atual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.
Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.
Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.
Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.
Por isso, opto por não participar de uma máquina religiosa que fabrica ícones. Não brigarei pelos primeiros lugares nas festas solenes patrocinadas por gente importante. Jamais oferecerei meu nome para compor a lista dos preletores de qualquer conferência. Abro mão de querer adornar meu nome com títulos de qualquer espécie. Não desejo ganhar aplausos de auditórios famosos.
Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.
Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa.
Soli Deo Gloria.
Ricardo Gondim ( www.ricardogondim.com.br )
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Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Se esse é o Reino de Deus... Tenho vergonha!!!
Falsos, impostores e mentirosos! São assim todos aqueles que se utilizam do nome de Deus para se promover. Há uma obstinação por poder nos espaços eclesiásticos. Os ministérios que já foram em algum momento, cargos para pessoas chamadas por Deus para o trabalho do Evangelho, se tornaram cadeiras cobiçadas por pessoas que querem ser reconhecidas. Não é a toa que a pregação do Evangelho tomou rumos tão desastrosos hoje.
A discrepância com a Igreja primitiva é enorme. Temos hoje clãs que querem se estabelecer nos cargos ministeriais. O Nepotismo é evidente. Basta analisar a relação de ministérios, lideranças e cargos administrativos na maioria das igrejas e você verá os mesmos sobrenomes ocupando a maioria dos cargos, e outra parte ocupada por amigos pessoais ou do mesmo convívio social destes sobrenomes. Aquelas poucas “ovelhas perdidas” ( que na maioria das vezes é quem realmente se preocupa com o bom andamento do trabalho e não com status ) normalmente são aos poucos “fritadas”. As mesmas pessoas que durante os cultos se derramam em lágrimas e fazem estardalhaços sentimentais na frente da igreja, nos bastidores se reúnem para criar planos para derrubar outros, e defender seus próprios interesses.
Politicagem? Tem de monte, ao ponto de fazer inveja aos nossos nobres de Brasília. Nos meus 20 anos de igreja já pude presenciar as mais variadas e de baixo nível. De suborno a compra de cargos. De compra de silêncio ( no objetivo nobre de abafar algo para não causar “escândalo” na obra ) a jogo de interesses para se conseguir algo. Poderia enumerar vários, mas não é esse meu objetivo, o que posso dizer é que nos bastidores de grande parte das igrejas as pessoas “se entendem”.
Falei apenas de dois aspectos ( que são mais evidentes ) e já me vem uma pergunta em mente: Seria realmente este o Reino de Deus? Aonde chegamos ao cumulo de encontrar pessoas que criam inimigos políticos dentro dos seus próprios ministérios.
Apregoa-se Amor, mas na verdade se dissemina ódio, disputas de poder e inimizades. Pessoas que se cumprimentam formalmente nos cultos de domingo com “Paz”, mas que na verdade querem se destruir. Que te abraça, mas que já bolou uma forma de te derrubar.
Bem, se este é o Reino de Deus, não quero pra minha vida. Pois o Evangelho me aponta outro caminho: Amor, tolerância, cumplicidade no bem comum, ajuda, amizade, comprometimento mútuo, coletividade, crescimento como corpo. Tudo bem, sei que isso é utópico e que estou sendo ingênuo, mas na verdade é nisso que acredito, é por isso que continuo a lutar. Sei que existem pessoas sérias e que não se corromperam, mas infelizmente é uma minoria. Igreja virou sinônimo de oportunidade, e quando há grandes interesses a minoria sempre sucumbe.
Não sei quando isso vai mudar, mas continuará sendo alvo das minhas orações. Um dia em que as atitudes da igreja enfim serão realmente diferentes. Um dia em que viverão não pensando em hierarquias, se destruindo em busca do ser, mas realmente farão as coisas para a Glória de Deus e não para a glória dos seus próprios egos.
Flavio (FHCA ®)
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Terça-feira, 19 de Maio de 2009
Crer também é pensar...
Neste mês de maio a revista Super Interessante trouxe na seção “Super Papo” ( pág 15 ) uma entrevista com o pastor nigeriano Enoch Adeboye, líder da “Redeemed Christian Church of God”. Sua igreja é uma espécie de “Universal” da Nigéria que entre outros feitos tem cerca ( de acordo com a reportagem ) 5 milhões de membros e está presente em cerca de 117 países, inclusive no Brasil.
Seu discurso pragmático, focando a obstinação por sucesso financeiro, curas entre outros, não deixou nada a desejar aos discursos tão conhecidos por nós de alguns líderes evangélicos brasileiros da atualidade. Em uma de suas respostas Adeboye afirma que “se Deus promete a você uma mansão no paraíso, acreditamos que ele pode, pelo menos, lhe dar um apartamento de dois quartos hoje”.
A fé em Cristo tem sido dogmatizada por muitos nos dias de hoje. Aquilo que um dia foi o estopim de mudança de vida com Cristo, se tornou numa espécie de Alvará para alcançar benfeitorias da parte de Deus.
Eu me esforço pra entender a excentricidade chamada “Teologia da prosperidade” mas não consigo. O conceito de Graça apresentado por Paulo em Efésios 2, que diz que ela é um favor que recebo de Deus sem nenhum merecimento, numa decisão unilateral Dele e que não este favor não é balizado pela minhas obras, mas pelo Amor de Deus, não se encaixa com o discurso de que tenho que aprender a sensibilizá-lo e provocá-lo a me amar. Ao contrário, Deus não necessita que eu o provoque pois ele já me amou. O que realmente acontece é que o amor incondicional de Deus é tão forte que sou sensibilizado a amá-lo.
O grande mercado evangélico transformou a fé num sinônimo de emoções a flor da pele. Basta ver as reuniões com seus apelos emocionais, choro, etc. John Stott, um teólogo e pastor anglicano, diz que “Crer também é pensar”. Parece-me que o que a maioria dos cristãos não faz hoje, é pensar. Questionar preceitos e atos individuais e coletivos não é pecado. Se Deus nos deu a capacidade de pensar e o livre arbítrio é natural imaginar que ele espera que usemos esta capacidade para orientar a nossa vida. Como disse, a fé tem sido tão dogmatizada que poucas vezes nos perguntamos, por exemplo: “Será que o que estou fazendo não é apenas repetir um chavão?”, “Eu realmente preciso fazer a campanha das 150 semanas pra conquistar algo?”. Não podemos de maneira nenhuma racionalizar a fé, até porque ela trata basicamente do nosso relacionamento com Deus, mas ela também não pode ser colocada totalmente no âmbito da emoção. Ela deve ser um equilíbrio entre razão e emoção.
Entristece-me saber que existem pessoas que abusam da simplicidade ou das condições dos mais desafortunados com promessas que nunca estiveram na boca de Jesus e seus discípulos com o único objetivo de promover as suas denominações. Entristece-me saber que as pessoas trocaram a oportunidade de viver um relacionamento com Deus, para buscar inexoravelmente serem bem sucedidas, nos padrões capitalista deste mundo. Entristece-me ver no que transformaram o Evangelho de Jesus: de demonstração da Graça de Deus em Feira de barganhas. Arrependei-vos....
Flavio ( FHCA ®)
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Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
A calúnia
Estas seis coisas aborrece o Senhor, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, a língua mentirosa, e mãos que derramam sangue inocente, e coração que maquina pensamentos viciosos, e pés que se apressam a correr para o mal, e testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos – Provérbios 6.16.
Deus odeia toda a maldade que gera a morte, mas detesta a maledicência. Ele execra a calúnia porque nasce no coração de lacaios, de medíocres, que só desopilam o baço quando arranham a reputação de alguém. O caluniador crava suas unhas na vida das pessoas que admira, e não nota a rejeição que provoca no coração de Deus.
O maledicente fuça a intimidade dos outros; é hiena com fome de carniça. Alimenta-se de notícias mal contadas, de frases retalhadas, de conversas insinuadas. Contenta-se em sussurrar. Aumenta, nunca inventa; sabe que inventar é arriscado e distorcer, seguro. Infame, arrasta-se em penumbras. Escorregadio, detesta a transparência dos cristais. Exangue, prefere o lusco fusco impreciso dos crepúsculos. Sugere a dúvida com leviandade e se cala para o siso que produziria o bem. Saliva na iminente derrocada de pessoas que inveja. Satisfeito, celebra o envenenamento que matou o desafeto que admira. Desdenha do Livro dos livros: “Não se alegre quando o seu inimigo cair, nem exulte o seu coração quando ele tropeçar...”.
O caluniador precisa de cúmplices; forma quadrilha para roubar nome. Amparado por asseclas de coração minguado, pinga veneno nas notícias duvidosas. Depois, desaparece. Basta-lhe esperar que as informações suspeitosas se espalhem pela boca rancorosa dos medíocres que lhe rodeiam. As maquinações da maldade não carecem de sua supervisão. Nunca falta gente baixa, gente que se deleita em ver uma biografia jogada na sarjeta.
A língua é um fogo. Muitas vezes incandescida pelo inferno, produz um mundo de iniquidade. Só precisa de uma fagulha para incendiar o curso de uma vida inteira. A língua maldosa faz perguntas capciosas. Sem intenção de ouvir, seu segredo é deixar no ar pontos de interrogação: “Será?”; “Foi assim mesmo?” O caluniador sabe oscilar, sordidamente, entre a piedade e a detração. Com a mesma língua bendiz a Deus e amaldiçoa a história de homens e mulheres, feitos à semelhança de Deus. Muitas vezes não consegue destruir os atos, que são objetivamente observados; parte então para questionar as intenções, subjetivas. Julga e sentencia sem qualquer parâmetro senão a sua imundície interior.
Quando Davi pecou, foi-lhe dado o direito de escolher a punição que sofreria. “Prefiro cair nas mãos do Senhor, pois grande é a sua misericórdia, a cair nas mãos dos homens”. Comentando essa passagem, o padre Antônio Vieira afirmou: “O juízo dos homens é mais temeroso do que o juízo de Deus; porque Deus julga com entendimento, os homens julgam com a vontade”. Verdade! A vontade do fofoqueiro está indisposta. Duvidará sempre, seu juízo vem maculado com a peçonha que desfigura homens e mulheres em serpentes.
O despeitado que semeia contendas deve lembrar Provérbios: As palavras do caluniador são como petiscos deliciosos; descem saborosos até o íntimo. Como uma camada de esmalte sobre um vaso de barro, os lábios amistosos podem ocultar um coração mau. Quem odeia disfarça suas intenções com lábios, mas no coração abriga a falsidade. Embora a sua conversa seja mansa, não acredite nele, pois o seu coração está cheio de maldade. Ele pode fingir e esconder o seu ódio, mas a maldade será exposta em público. Quem faz uma cova, nela cairá; se alguém rola uma pedra, esta rolará sobre ele – (26.22-27).
Soli Deo Gloria
Ricardo Gondim
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Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
Repensando a Fé
Certas coisas perderam ímpeto dentro de mim. Certas afirmações se esvaziam antes que alcancem o meu coração. Certas concepções já não fazem sentido quando organizo o meu dia.
Minha fé deixou de ser uma força dirigida a Deus que o induz a agir. Entendo fé como coragem de enfrentar a existência com os valores do Evangelho. Fé significa uma aposta; a verdade vivida e revelada por Jesus de Nazaré tornou-se suficiente para que eu encare as contingências do mundo sem me desumanizar. Fé não movimenta o Divino, mas serve de pedra de apoio onde me impulsiono para a deslumbrante (e perigosa) aventura de viver.
Já não espero que uma relação com Deus me blinde de percalços. Não acredito, e nem quero, que Deus me revista com uma carcaça impenetrável. Acho um despautério prometer, em meio a tanto sofrimento, que uma vida obediente e pura gere segurança contra doenças, acidentes, violência.
Considero leviano afirmar que, quando as mulheres oram, Deus poupa seus filhos de se envolverem com drogas, promiscuidade e outros males. Por que Deus ficaria de mãos atadas ou indiferente diante das opções, muitas vezes atrapalhadas, de rapazes e moças? Quer dizer que, se os pais não vigiarem, Deus permite que os filhos se percam? Como Deus induz alguém a se arrepender; Ele arrasta pela força em resposta ao pedido dos pais? Será se a "salvação" dos filhos não depende tanto de uma intervenção divina, mas do exemplo dos pais?
Tanto no Antigo Testamento como no ministério terreno de Jesus, há relatos de que Deus se recusa a manipular ou coagir para trazer qualquer pessoa para si. Deus é amor e quem ama se torna vulnerável ao abandono. Um exemplo clássico vem do profeta Oséias que encarnou um repudio semelhante ao de Deus.
“Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei o meu filho. Mas, quanto mais eu o chamava mais eles se afastavam de mim (11.1).”
No evangelho de Lucas, Jesus lamentou sobre a cidade de Jerusalém que, além de repetir o padrão de perseguir os profetas, o rejeitou:
“Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram! (13.34).”
Não acredito que, para os que cumprem ritos religiosos, a existência se transforme em céu de brigadeiro. Não imagino que, ao obedecer corretamente os mandamentos, o mar da vida deixe de ser arriscado.
Orar de olhos fechados, debulhar terços em rezas, pedir ajoelhado, fazer campanhas, interceder ferozmente nas vigílias, clamar aos gritos, nenhuma dessas expressões religiosas significa devoção, se contempla vantagens que outros mortais, que não fizerem o mesmo, não alcançarão. Considero-as puro clientelismo, vãs repetições, murros em ponta de faca, mistura de ilusão com esperança.
Assemelham-se ao esforço da tartaruga que sonha com as altitudes, mas se vê obrigada a respirar o pó da estrada.
Acho indigno um cristão pedir que Deus lhe ajude a passar em concurso público. Aliás, considero um horror ético. Da mesma forma, em economias que produzem excluídos, não é lícito rogar que “o Senhor abra uma porta de emprego”. Não faz sentido conceber que o Todo Poderoso consiga recolocar mais pessoas no mercado de trabalho de países emergentes do que nos bolsões miseráveis do mundo, onde bilhões sobrevivem com menos de 1 dólar por dia.
Já me indispus com grandes segmentos do mundo evangélico, mas não consigo calar. Por todos os lados, ouço clichês como se fossem afirmações piedosas de fé. Infelizmente, tais jargões cumprem o papel ideológico de afastar as pessoas da realidade, empurrando-as para o delírio religioso. Religião, nesse caso, não passa de ópio.
Soli Deo Gloria.
Ricardo Gondim
www.ricardogondi.com.br
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Quinta-feira, 9 de Abril de 2009
A retórica do discrurso Evangélico
Os líderes evangélicos dizem que igreja não salva ninguém.
Mas não acreditam realmente que alguém que não freqüenta igreja alguma possa ser salvo.
Os líderes evangélicos dizem que Deus ama quem dá $ com alegria.
Mas não acreditam que um irmão pode estar precisando exatamente do contrário: receber
Os líderes evangélicos dizem que não existe representante de Deus na Terra.
Exceto quando se trata do dízimo, pois, ao não entregá-lo para a instituição religiosa, o crente está roubando a Deus.
Os líderes evangélicos dizem que o exame das escrituras é livre.
Mas não aceitam a exposição de opiniões e interpretações diferentes na Escola Dominical.
Os líderes evangélicos dizem que o sacerdócio é universal.
Mas não acreditam que ovelhas possam viver sem se submeter às autoridades eclesiásticas.
Os líderes evangélicos dizem que Deus odeia o pecado e ama o pecador.
Mas não acreditam que Deus possa amar aos “gentios” tanto quanto aos crentes.
Os líderes evangélicos dizem que não existe “pecadinho” e nem “pecadão”.
Mas disciplinam irmãos por causa de alguns pecados considerados mais graves e ignoram outros pecados tidos como menos graves.
Os líderes evangélicos dizem que é preciso amar ao próximo como a ti mesmo.
Mas pensam que o “próximo” se refere somente aos seus irmãos de fé e não aos que confessam outra (ou nenhuma) fé.
Os líderes evangélicos pregam que é preciso dar a outra face ao inimigo.
Mas não fazem desta maneira com grupos pró-aborto, macumbeiros, homossexuais e ateus.
Os líderes evangélicos dizem que Deus é soberano e sua vontade é o melhor.
Mas não tem temor ao aconselhar ao rebanho a exigir que Deus “olhe para eles” para poder tomar posse das benção$.
Os líderes evangélicos pregam que Jesus foi pobre, andou com pecadores, venceu o diabo no deserto e sofreu morte de cruz.
Mas te fazem acreditar que você está pobre (ou no leito da morte) porque não tem fé. Provavelmente está endemoniado e anda com pecadores.
Viver e liderar um evangelho assim é fácil, não?
Saulo Dias Luz, no blog Sal com pimentas
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